sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Há três bons motivos para se comprar as ações da VALE agora, destaca o UBS

Com a queda desta quinta-feira (9), as ações preferenciais classe A da VALE quebraram a marca de mais de 50% de desvalorização desde o começo do ano. Reconhecida por seus bons fundamentos, a empresa parece barata em relação a seus múltiplos para grande parte dos investidores. Mas com o cenário incerto deixado pela crise, quem se arrisca a comprar?Aos investidores que se vêem neste impasse, a equipe de análise do banco suíço UBS listou três motivos para se adquirir os papéis da mineradora brasileira agora. A avaliação do UBS esbanja otimismo com a empresa, e traz afirmações contundentes.

Grosso modo, estes três tópicos expõem um ativo de grande qualidade e preço muito baixo. Mas vai além para o UBS. Além de extremamente barata, a ação da Vale foi considerada defensiva e completamente ignorada pelo mercado.Em relação às incertezas, o argumento é que o "preço do minério de ferro não vai despencar no ano que vem, porque a empresa se beneficia da alta do dólar frente ao real e a situação financeira é bastante forte". Minério mais barato: mal que vem para bemQue a perspectiva para a próxima rodada de reajustes do minério de ferro é mais modesta, o UBS concorda. Mas segundo a instituição, é um "mal que vem para o bem". Basicamente, o elevado preço do produto atraiu um grande volume de empresas, o que apontou para uma desconcentração do mercado.

Com a redução do preço, a tendência é de retornos menos atrativos a novas ingressantes, o que pode gerar efeito positivo sobre a curva de preço no longo prazo, haja vista a possibilidade de menor oferta da matéria-prima.Tomando por base a estrutura de custos relativamente baixa apresentada, a Vale mostra-se muito bem posicionada diante desta perspectiva.Só tem a ganhar com o câmbioSe o preço do minério tem viés negativo, a depreciação cambial age na contramão. De acordo com as projeções do UBS, cada oscilação de 10% na cotação do real deve contribuir com 4% ao Ebitda - geração operacional de caixa - da empresa. A empresa perde em receitas com a queda do preço do minério, mas ganha nas margens.

"No geral, acreditamos que a Vale seja uma das melhores empresas do Brasil para se investir na trajetória do câmbio", ressalta o banco. Para reforçar esta idéia, os analistas destacam que 95% das receitas da mineradora são denominadas em dólares, ao passo que 40% de seus custos vêm atrelados à moeda norte-americana.Outro ponto que favorece diz respeito aos custos. Com a redução do impacto inflacionário sobre os custos da empresa, as margens operacionais ganham perspectiva favorável extra. A aposta do UBS é de queda de 15% nos preços do minério de ferro, mas que o real mais fraco compensará em parte.

'Sentada' em US$ 12 bilhõesUma questão muitas vezes esquecida pelo mercado é o fruto da oferta de ações realizada pela mineradora. Na ocasião, a Vale levantou cerca de US$ 12 bilhões, o que reforça seu já forte balanço patrimonial. Para se ter uma idéia, a dívida líquida da empresa é estimada em US$ 6 bilhões, equivalente ao caixa gerado no segundo trimestre."A empresa não precisa de financiamento externo no momento, o que isola a Vale da atual turbulência do mercado de crédito". Sentada em elevado volume de recursos, a Vale pode partir para uma aquisição de grande porte sem grandes problemas. Tem o tempo a seu favor, pela falta de concorrência de ativos no cenário atual, e possui um histórico de investidas que agregam valor.

Quanto às preocupações do mercado, o UBS finaliza afirmando que não há qualquer impacto sobre as exportações brasileiras de minério de ferro em setembro, contrariando rumores de que algumas siderúrgicas chinesas não estão comprando o produto da Vale, que por sinal é outra vantagem competitiva da empresa, de baixo custo, abundante e de alta qualidade.

Nenhum comentário: